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Thiago Floriano*

Alguns empresários e gestores de recursos humanos têm se questionado sobre a importância de investir em educação/formação de suas equipes e, muitas vezes, creditam a falta de retorno do investimento à ineficiência dos cursos. Um recente artigo publicado no portal da Harvard Business Review aponta que “mesmo funcionários bem treinados e motivados não conseguiam aplicar os novos conhecimentos e habilidades quando retornavam para suas unidades, que estavam moldadas para funcionar em seus métodos operacionais habituais”. (Michael Beer, Magnus Finnström e Derek Schrader)

Os autores explicam que, para que um treinamento seja realmente eficiente, é necessário que a empresa tenha um solo fértil, que permita florescerem as novas ideias, novos métodos de trabalho e novas maneiras de enxergar o trabalho. É preciso criar uma cultura de liberdade para se falar abertamente. Por essas e outras costumo dizer aos meus clientes que quando falamos de mudança de comportamentos precisamos desconstruir alguns hábitos que já estão arraigados na empresa antes de começar a construir algo. Por isso, costumo dar duas recomendações:

  1. Que as mudanças (desconstrução) comecem por cima, por aqueles que tomam as decisões da empresa, que conduzem, e que são (ou deveriam ser) o exemplo a ser seguido.

Treinar os líderes antes do restante da equipe possibilita que esses mesmos líderes estejam mais preparados para lidar com as mudanças que podem (e devem) ocorrer após um treinamento. Caso a liderança não esteja preparada para as mudanças, o treinamento da equipe não funciona porque as novas ideias e métodos não são postos em prática. Não é possível fazer uma demolição em uma obra começando pela base, sob risco de uma grande tragédia.

  1. Que os investimentos em treinamentos (construção) comecem por competências interpessoais e comportamentais.

Iniciar por competências interpessoais e comportamentais é essencial para que os trabalhadores estejam mais preparados para lidar com os desafios de relacionamentos e para vencer barreiras internas. Caso a equipe não consiga lidar com estas questões fundamentais o treinamento não funciona porque as pessoas não conseguem promover as mudanças necessárias. Uma construção sempre deve iniciar pela fundação, que é a sustentação.

Sendo assim, antes de se perguntar se algum curso ou treinamento é eficiente, pergunte-se: “Minha empresa está preparada para o treinamento que quero fazer?” Seus investimentos certamente terão um retorno maior se a resposta for sim.

* Thiago Floriano é coach, palestrante e escritor.

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